Moto velocidade

O meu amado pai (Janjão) sempre me alertou sobre os riscos de ser Motociclista. Ele teve um acidente na juventude dirigindo uma Vespa e precisou até de cirurgia plástica no rosto, pois o parabrisa estilhaçou e o feriu gravemente.

Então, motocicleta lá em casa sempre foi um tabú. O melhor termo para esse veículo quando alguém se referia à motocicleta, em alguma conversa, era: “desintera família “. A pressão sempre foi muito grande.

E, eu sempre dei muita atenção aos conselhos do meu. Porém, mal desconfiava ele que na adolescência eu já era fã do Nivanor Bernardi (O Touro Paranaense) especialista em MotoCross. Fui vê-lo e fiquei ou ficamos impressionados como O Touro enfrentava a pista, amassando-a, subjugando-a, deixando adversários comendo poeira. O Touro era um monstro montado naquele cavalo mecânico indomável para muitos, dócil para ele.

Depois conheci as façanhas de um Motociclista italiano, Luca Cadalora, na Motovelocidade. Ele é da minha geração. Um pouquinho mais novo. Eu não perdia uma transmissão da MotoGp, em especial quando estava no grid aquele fantástico piloto.

Mas, a paixão pela velocidade veio mesmo com Valentino Rossi, um magrelo também italiano que alegrou muitos momentos com sua habilidade e até muitas façanhas. Um campeoníssimo. Dispensa comentários. O n⁰ 46 agora é eterno na MotoGp.

Bom, os meus ídolos aposentaram. O último deles, Valentino Rossi, aposentou no finalzinho do ano passado (2021). Então, eu mando esse vídeo do Valentino como uma homenagem a estes desportivas que marcaram uma época e a minha geração.

Quanto a mim. Sim, eu aprendi a andar de Motocicleta. O papai nunca soube. Mas, quando eu viajava para o interior do estado, mais precisamente para o Sítio Delicias de Rosarinho, que fica às margens do poderoso Rio Madeira, e pertence ao Município de Autazes eu aprendi numa Moticicleta Honda 125 Cross. Aprendi e andava no barro molhado, quase um sabão. Eu disse quase. Aqueles 13km que ligam o Sítio à sede do Município, conhecia de cor. Sozinho ou com um eventual carona, eu nunca caí. Isso nesmo!

Apesar do sonho eu não comprei uma Motocicleta. Digo-lhes que não faltou vontade. A minha última tentativa foi uma Honda XRE300 Cross. Espetáculo. Mas, avaliando bem coloquei num negócio e adquiri o meu carro atual. Os conselhos do papai, persistem. 🙂

Enfim, os meus ídolos aposentaram. Estou começando a pensar que a solução é reviver os bons momentos com lembranças e imagens e quem sabe uma motoneta elétrica para passear pelo bairro ainda amplie os meus sonhos e o meu entusiasmo? 🛵

Não é burro não, querido

Aguardando nossa partida com a aeronave ainda estacionada no finger, percebo a entrada de uma bela família e todos saltitantes de felicidade. Lembraram-me bem aqueles regulares comerciais de margarina em que a felicidade brota de pães torrados, casais sorridentes, filhos que parecem amar o despertar matinal e o clima primaveril de uma refeição fugaz onde até o cachorro de tanta felicidade diz algo somente pelo olhar. Pura emoção.

Aproximaram-se papai, mamãe, a menina mais velha (8) e o menino (6) muito ativo e falante. Logo estavam acomodados em poltronas próximas atrás de mim. O voo lotado e aquele silêncio cheio de ansiedade por aqueles que voam, mas morrem de medo das incertezas que é flutuar dentro desse pássaro de aço idealizado por Dumont.

Na revista de bordo jazia umas propagandas de passeios e excursões e a mãe, mais que rapidamente e para quebrar aquele silêncio incômodo com a inteligência do filhote, quiçá para demonstrar sua ótima condição social pergunta ao guri. “Olha aqui filho, fala pra mamãe onde fica Orlando”. E, o menino que estava entretido em descobrir como se opera a TV logo a sua frente responde sem muita emoção: “no Brasil”.

Mamãe muito paciente e querendo a todo custo demonstrar a esperteza de seu rebento insiste: “Não, querido. Tente lembrar. Orlando Mickey”. E, o guri: “no Brasil, mãe”.

Quase sem paciência e sem acreditar que a viagem dos sonhos da família sequer deixou gravada na memória daquele pequeno a localidade daquele grandioso, inesquecível e deslumbrante lugar a distinta senhora insiste. Eu, a partir daí fiquei muito atento.

“Fiiilhoooo, não é no Brasil. Faz uma forcinha pra lembrar faz”. O Guri que estava levando um baile dos controles da TV disponível no encosto da poltrona da frente, já um tanto irritado, pois aquele vídeo game não estava funcionando adequadamente disparou: “Mãe, eu não sei onde fica Orlando porque eu sou BURRO. BUUUURRRROOOO. Entendeu? Eu sou muito BURRO.

Incrédulos pela reação do guri, um misto de inocência e desagravo, e consternados pela frustração daquela senhora que só queria que todos ao redor soubessem que estiveram nos EUA recentemente, contivemos o riso e a gargalhada ficou disfarçada entre um solavanco e outro daquele Embraer batizado “Ozires Silva” que zarpava para o meu final de semana com a família em Floripa.

só tem fera

Nesse final de semana, eu vim para Concórdia para defender a reputação de Mesatenista conquistada com muita luta. Também vim rever queridos amigos. Muita saudade de todos. Dá gosto olhar para área de jogo, só tem fera. O álbum que publicarei será chamado (re) Encontros. Aguardem!

Missão cumprida. Regressando para Floripa.

Highlander, o guerreiro imortal

Em 2005, logo após o último ponto e toda aquela vibração com o Ginásio lotado e em polvorosa, quem atendeu ao repórter do Diário Catarinense ali na área de jogo fui eu, claro, aquele que fala pouco. 🙂 Já empossado como Campeão Brasileiro V4 teci alguns comentários sobre a equipe e o esforço de termos chegado até ali. Por favor vejam o grifo. Equipe campeã V4 – Brasileiro 2005. Arnaldo Fischer – São Bento do Sul Celso Toshimi – Joinville Marco Lançarin – Porto União Jandir Ipiranga – Florianópolis O Marquinhos Marco Antônio Lançarin lembrou do longo período que estivemos parados e hoje experimentamos algo parecido. A minha geração é uma geração Highlander, uma geração formada por Guerreiros. Isso é a nossa história. Isso é emoção.

Como se fosse a única vez

Reunião de início de semana com os Gerentes.

Motores aquecendo para uma nova semana. Pendências do último período. Avaliação de evento endomarketing realizado. Reunião online com novo cliente. Preparativos para ampliar a infraestrutura de TI. Programa de treinamento em novo modelo. E, o Projeto “Menina dos Olhos” em franco desenvolvimento.

Comecei às 6:00h no Whats App com o Diretor. Melhor impossível. Ele logo aprovou as situações colocadas para tomada de decisão.

A orientação para gerência, tendo em vista o exercício da Liderança Situacional junto aos colegas é: NÃO FAÇA (SOMENTE) A SUA PARTE.

Então lembrei d´um episódio relatado pelo Romário. Sim, o Romário. O Peixe demolidor de zagas e defesas.

O Técnico orientava um esquema tático sobre o qual o Baixinho não concordava. Havia um impasse no ar tendendo a clima tenso. O Baixinho defendia o seu posicionamento: onde e porque deveria atuar ali naquela área do campo para enfrentar o adversário.

O Técnico tinha outra orientação. O Baixinho combatendo aquela tática e considerando-a desastrosa. Típico.

Então, o Técnico sacou o que seria a sua última cartada para contrapor o Baixinho e sua visão tática de jogo. O Técnico achava que o Romário não teria mais argumentos depois de sua fala.

O Técnico disse:

Mas, Romário se você ficar posicionado e jogar do jeito que você está dizendo como ficará a cobertura do homem da sobra, caso sejamos surpreendidos com um contra-ataque? (a tática envolvia um posicionamento alternativo para aquele jogo). E, completou: você não terá pernas e pulmão para 90 minutos.

De súbito o Baixinho pareceu perplexo com uma expressão de que “fui pego no flagra”.

Então, o colega de time Sr. Carlos Caetano Bledom Verri, mais conhecido pela alcunha de Dunga pediu a palavra e disse.

  • Eu corro pelo Romário. Eu corro por mim e pelo Romário.

E, o Técnico.

  • Reunião encerrada, vamos para o Jogo.

Moral da história. Independente do seu plano, do seu escopo e de suas atribuições principais: faça mais, faça além, faça por si e pelos demais, faça como se fosse a primeira vez, faça como se fosse a última vez, faça como se fosse a única vez.

Uma boa semana a todos!

Título: Espírito de Equipe
Subtítulo: Parceria a toda prova

O jogo: Brasil 3 x 2 Holanda. Copa do Mundo 1994. Gols de Romário, Bebeto e Branco.

João, um gênio!

Naquele dia ele chegou mais cedo que o normal. Tratava-se e um novo cliente e ele precisava receber logo cedo todas as orientações quanto ao serviço, preocupações extraordinárias e, claro, os itens de segurança. Ainda estava escuro quando o mais novo patrão acendeu as luzes do pátio e pediu para que ele entrasse, abrindo o pequeno portão de madeira.

Bom dia! Cedo como eu pedi!

Bom dia! Cedo como solicitado. O Sr. é o cliente!

O novo cliente precisava passar todas as orientações antes de deixar a casa, por isso aquele combinado. Sem muita conversa fiada ou rodeios o cliente começou a listar as tarefas para os quais havia contratado o pequeno João.

João vinha de uma família cristã, fervorosa e atuante na Paróquia Santo Antônio. Uma família de trabalhadores e muito dedicados, com valores morais íntegros e que valorizam prioritariamente o trabalho como forma de realização.

João, disse o cliente, primeiro eu quero que apare a grama tanto da área da casa como da área do paiol. Após aparar a grama eu quero que você recolha todo o resíduo e deixe empilhado em sacos de estopa neste local aqui dento do paiol. Depois eu quero que você faça um pequeno reparo na cerca do jardim da casa, pois no último vendaval, um tal de ciclone bomba, a árvore que já foi removida pela Prefeitura caiu e quebrou aproximadamente três metro da cerca. Aqui estão as ripas, a perna manca, o serrote, os pregos e a tinta.

João ouvia atentamente o Sr. Vieira e interpelou-o dizendo. O material ok, mas as ferramentas eu prefiro utilizar as minhas que estão adaptadas para o meu porte físico. O Sr. Vieira olhou aquele pequeno com certa curiosidade, mas seguiu com as orientações. Aproveitando que você vai lidar com a tinta, eu quero que você faça um retoque na parede traseira do paiol. Não precisa lixar, pois isso eu já fiz.

Pelo trabalho pagarei o preço combinado, disse o cliente. Você tem os equipamentos de segurança? João respondeu imediatamente, sim! Eu tenho capacete, óculos, protetor auricular, luvas, avental de raspa, máscara e botas com CA aprovado pelo Inmetro. Muito bem, João, disse o Sr. Vieira.

Passado aquele período de orientações estava próximo das 7:30h e o sol despontava no horizonte. O Sr. Vieira pediu licença, precisava se arrumar para o trabalho. Ele trabalhava num município da grande Florianópolis e tinha um bom trajeto pela frente, sem falar no trânsito que enfrentava ao sair da região de Campinas em São José. Depois entrava no contra fluxo da BR101 e fazia sua viagem cotidiana de forma tranquila, apreciando em grande parte do trajeto a silhueta do Cambirela.

Nesse instante, quando estava se retirando da presença de João, o Sr. Vieira percebeu que o menino tirara o celular do bolso e estava prestes a fazer uma ligação. Tão cedo?! Movido pela curiosidade o Sr. Vieira voltou e ficou camuflado atrás de uma belíssima Muzendra que fazia quadro no pilar lateral da casa.

Conseguiu ouvir bem a conversa.

João falou ao telefone com uma voz levemente diferente e abafada por sua pequena mão acima do celular: Bom dia Sr. Por acaso o Sr. está precisando cortar a grama de sua residência? Ãn hã, ok sem problemas. E, pintura da casa algum estrago com o ciclone bomba da semana passada? Entendi, Sr., sem problemas. Algo para fazer no paiol ou cercado das ovelhas? Uhum, tranquilo Sr., obrigado e peço desculpas pelo incômodo.

João concluiu a conversa e não demonstrou qualquer sentimento. Muito sério encaminhou-se para o local onde estavam as suas ferramentas e começou a preparar tudo para iniciar o serviço.

O Sr. Vieira, parou por alguns segundos e concluiu que aquele não era o dia de sorte do João para conseguir novos clientes. Quinze minutos depois quando estava saindo de casa pela garagem lateral, em seu Nissan Sentra SL 2.0 Azul metálico, o Sr. Vieira chamou João e disse:

– Filho nem todo dia o sol brilha. Mas, o sol sempre volta a brilhar. Continue responsável e determinado em seus propósitos, que você conquistará novos clientes.

João, muito inteligente que era comentou: O Sr. está se referindo ao telefonema de agora há pouco, certo? O Sr. Vieira ficou um pouco desconcertado com o menino.

João continuou: Sr. Vieira, aquela pessoa para quem eu liguei já é meu cliente. Eu estava somente verificando o grau de contentamento dele com o meu serviço. E, pelas respostas dele eu acho que ele está bem satisfeito. Pois entre algumas negativas para aceitar um (novo) prestador de serviço ele disse que está muito satisfeito com um menino chamado João, que começou a fazer serviços de manutenção em sua casa há dois meses.

O Sr. Vieira ficou muito surpreso com a perspicácia daquele guri e, finalizou dizendo: Deus te abençoe e te guarde. João você é um gênio!    

Até mais tarde.

A propósito como você quer receber o seu pagamento: em dinheiro? Ou depósito bancário. João respondeu, pode ser com cartão de débito na maquininha do Mercado Pago. Eu uso o cartão do aplicativo para fazer compras para mamãe.

Até mais, Sr. Vieira!

O conselho

Aquela era uma tarde de outono dos idos de 2006. Um belíssimo momento desta belíssima Florianópolis em que a claridade da tarde e a leve brisa sul que chegava até o Ginásio Capitão Waldir Schmidt, no Saco dos Limões, deixava-nos a todos ainda mais inspirados para a prática do Tênis de Mesa.

Eu estava regressando de um intervalo de nada mais nada menos que quarenta anos longe do Tênis de Mesa, mas muito empolgado com a possibilidade de fazer um esporte com o meu filho mais velho, o Andrey, que naquele ano tinha somente doze anos de idade.

Combinamos que para aquele início de carreira eu retomaria a prática no horário noturno e o Andrey faria aulas com os Professores que atuavam com a escolinha. Primeiro a Profa. Gisele e depois o Prof. Daniel Guizzi, nosso campeonsíssimo representante.

Assim sendo, estava eu naquela oportunidade aguardando a abertura do Ginásio pois havia chegado um pouco cedo, por volta das cinco horas da tarde. O Ginásio seria aberto somente às dezoito horas pelo Sr. Neri Cataneo o Coordenador da Modalidade à época.

Estacionei o carro na área lateral ao Ginásio posicionando o carro de frente para a rua, que é o endereço do prédio. Estava bem tranquilo aproveitando para relaxar um pouco enquanto aguardava a chegada de todos e o início do treino.

Observando o movimento de pessoas que transitavam em direção à Costeira do Pirajubaé vi uma família vindo tranquilamente pelo calçamento. Uma cena muito singela e bonita. Os pais, muito jovens, de mãos dadas e uma bebê, acredito que com um pouco menos de dois anos de idade, segura pelas mãos da mãe, vinha saltitando e encantando não somente os pais, mas todos que cruzavam com aquela bela família e aquele belo quadro.

Quando repentinamente aconteceu algo que mudaria o rumo daquele final de tarde! Algo inusitado e angustiante.

De repente, não mais que de repente, a criança deixa cair algo que estava em sua mão e o objeto segue pulando para o meio da rua. Era uma bolinha de borracha dessas que se consegue com uma moeda em máquinas tipo slot machine onde se posiciona uma moeda gira-se um botão tipo manivela e o brinde cai logo em seguida.

O que vou descrever a seguir ocorreu numa fração de segundos ou menos.

A bolinha caiu, saltitou e foi parar no meio da rua. Em seu instinto e inocência, a criança dá um puxão e solta sua mão das mãos de sua mãe e corre para buscar a sua bolinha. Ela fica posicionada bem no centro da pista de rolagem, como um alvo único.

Vinha um carro!

Sim, naquele exato momento vinha um carro de pequeno porte, um carro de passeio, branco, novo. No reflexo de um bom motorista ouvimos todos a frenagem do veículo. E, no percurso final da curta frenagem, com os pneus travados, o carro toca de leve na criança e esta cai para trás sentada. E, fica assim pois estava apoiada por sua mochilinha da Turma da Mônica.

Eu assisti à cena de camarote (dentro do carro) e percebi que os pais ficaram paralisados.

Toda aquela movimentação e os gritos de desespero da mãe da criança chamaram a atenção dos pedestres e de toda a vizinhança. Formou-se uma pequena multidão e lá no centro estavam a criança, os pais e o motorista tentando ajudar de alguma forma.

Uns mais exaltados começaram a agredir o motorista com palavrões e ameaças. Eu confesso que fiquei preocupado de presenciar uma tentativa de linchamento por parte de alguns elementos, confesso! E, foi nesse momento que eu me aproximei da multidão sem ao certo saber o que faria se é que faria alguma coisa. Percebi alguém chutando o carro do motorista e aos berros acusando-o de qualquer mal que pudesse ter ocorrido com a criança. Foi quando eu entrei literalmente em cena.

De um só salto me posicionei bem no meio da multidão e disse em alto e bom tom: ESTÃO TODOS ENGANADOS. O MOTORISTA NÃO TEVE CULPA. A CRIANÇA SE SOLTOU DAS MÃOS DE SUA MÃE E CORREU PARA O MEIO DA RUA PARA PEGAR A BOLINHA QUE VINHA SEGURANDO E BRINCANDO. Pedi a confirmação da mãe na frente de todos e ela confirmou. Um a zero para mim!

Um senhor muito distinto contra argumentou: Mas, o motorista estava em alta velocidade e na contramão. Eu respondi mais alto que pude sem qualquer constrangimento ou medo de alguma consequência:

COMO O SENHOR PODE AFIRMAR ISSO, SOBRE A VELOCIDADE DO VEÍCULO, SE O SENHOR SÓ CHEGOU AQUI BEM DEPOIS DE TER OCORRIDO O INCIDENTE? E, chamei aquele senhor e todos para ver a marca da frenagem, que praticamente não existia pois o carro estava em baixa velocidade e sequer marcou o solo com a borracha dos pneus. Dois a zero para mim!

O mesmo senhor insistiu: Mas, ele estava na contramão. Ao que eu chamei novamente todos e mostrei a faixa amarela dupla na parte central da pista de rolagem indicando que aquele trecho era de mão dupla. A mão única só iniciava a cem metros do local do incidente já próximo ao Armazém Vieira.

Aquele senhor se retirou do local. Três a zero para mim!

Com alguns ainda falando algo aqui e algo ali. Eu chamei os pais da criança e perguntei: ela apresenta algum ferimento, algum sangramento: Eles responderam que não, mas eu percebi que a criança estava em estado de choque. Os pais também.

Então chamei o motorista, que estava branco como papel e dei a seguinte instrução: Por favor, leve a família com a criança para o Pronto Socorro e só saia de lá com uma cópia do Laudo Médico sobre o estado da criança, em suas mãos. Depois leve a família em casa e peça desculpas ou que sente muitíssimo que tudo aquilo tenha ocorrido. Depois vá no Posto Policial e faça um Boletim de Ocorrência contando exatamente tudo o que aconteceu aqui. Perguntei, você será capaz de lembrar? Ele assentiu com a cabeça e eu pedi que sua namorada o ajudasse nesse relato.  

Anunciei novamente em alto e bom tom que tudo aquilo havia encerrado e que todos podiam voltar para suas casas. E, fui treinar. O Ginásio já estava aberto.

Duas horas depois, quase no final do treino, percebi a presença do motorista que adentrou às instalações do Ginásio. Parei imediatamente o treino e fui cumprimentá-lo. Era um rapaz muito jovem, ele parecia mais tranquilo.

Ao nos encontramos ele disse “eu nem sei como agradecer o senhor, pelo que o senhor fez. Achei que eles iam me agredir”. Eu disse: tudo certo já passou e, perguntei: Você foi no Pronto Socorro? Levou o pessoal em casa? A criança estava bem, pegou o Laudo? Fez o Boletim de Ocorrência?

Ele disse “a criança estava bem, não sofreu sequer um arranhão, fiz tudo o que o senhor aconselhou. Acho que não terei problemas”.

Eu respondi “certamente você não terá problemas”.

Ao final, respiramos aliviados!

The Mentalist

Melhor madrugada (21). Após uma longa espera assisti ao episódio Pássaro Azul em que Patrick Jane declara seu amor a Teresa Lisbon. A cena foi um baita clichê, tipo Dio come ti amo, mas as avessas. Nesse, ao invés da belíssima voz de Gigliola Cinquetti retirar o enamorado de dentro do avião, com a canção homônima ao filme, o Mentalista arranca suspiros com uma declaração direta, encantadora e ao mesmo tempo sofrida. A agente Lisbon não teve a menor chance.

Soletrando

Date: Wed, 8 Sep 2010 08:35:17 -0300

Nesses dias de feriadão o meu carro ficou na garagem aguardando alguma ação. Como a nossa programação foi essencialmente familiar e em casa, o dito ficou quieto vários dias. Hoje, quarta feira, dia em que voltamos aos “gramados” levei o Jandir Neto no colégio bem cedo. Mas, antes tive que passar no Posto para abastecer e calibrar os pneus que esvaziaram quase totalmente.

Ao chegar no Posto fomos recebidos com distinta educação e gentileza, tanto na hora de abastecer como na hora de calibrar os pneus.
Para completar ganhei uma lavação grátis. Daquele tipo de lavação externa.

Percebendo toda aquela atenção, cortesia e dedicação o Jandir Neto comentou o seguinte:

(JN) – Pai, acho que este rapaz aí gosta muito do emprego dele;
(eu) – É mesmo, filho !? E por que você acha isso?

Ao que o Jandir Neto, que anda meio sem paciência comigo, despachou …

(JN) – Pai, o Sr quer que eu desenhe, faça um gráfico ou soletre ?

………………………………………………

Olhei para ele bem sério e ele deu um risinho maroto no canto da boca, e disse !!!

(JN) – Pai … a dedicação … o Sr. não percebeu nada diferente?

30 coisas para lembrar

30 Sep 2010 10:26:17 -0300

O Jandir Neto já está bem mocinho e consegue se virar em muitas coisinhas do dia-a-dia. Mas, faço questão de arrumá-lo todos os dias com o uniforme e depois vamos juntos até a escola. Isso pra mim se chama “recompensa”. De fato, estou aproveitando ao máximo o “restinho” da fase de bebê que ainda existe nêle (será que um dia estarei convencido de que esta fase realmente passou?). Bom, o Jandir Neto é tão “cuiadoso” com seu uniforme quanto eu era com o meu … tem sempre um remendo novinho na calça bem em cima do joelho … rsrs. E outro dia comecei a observar que quando ia ajudá-lo a colocar as meias e o tênis, o tênis ainda estava com o laço do dia anterior. Ou seja, o Jandir Neto não tira o tênis, ele arranca dos pés usando o outro (pé) como apoio, básico assim !!!

Então, esperei uma oportunidade e disse:

(eu) – Filho, percebi que vc está tirando o tênis de uma forma que não é a correta. Isso poderá estragar o seu tênis mais rapidamente;
(eu) – Para tirar o tênis de forma correta vc precisa primeiro desfazer o laço, afrouxar o cadarço e então tirar o tênis.
(eu) – Fica bem mais fácil !!!

e o Jandir Neto ouvindo atentamente.

(eu) – Será que vc conseguirá lembrar disso quando voltar da escola?

ao que o Jandir Neto comentou:

(JN) – Bom, tranquilo !!! Eu só tenho 30 (trinta) coisas para lembrar, que a Mãe já me passou, ou seja: o dever da Pluralidade Culturual, a Maratona Bíblica (O Jandir Neto é Coroinha da Paróquia), os deveres de matemática … etc … etc …

Caros, um sarcasmo (dissimulado), mas intenso pairou naquele momento … rsrs !!!

Um forte abraço a todos e até breve.

Jandir